terça-feira, 30 de julho de 2013

Volto Já



O vento que me leva. 

O vento lusitano. 
É este sopro humano 
Universal 
Que enfuna a inquietação de Portugal. 
É esta fúria de loucura mansa 
Que tudo alcança 
Sem alcançar. 
Que vai de céu em céu, 
De mar em mar, 
Até nunca chegar. 
E esta tentação de me encontrar 
Mais rico de amargura 
Nas pausas da ventura 
De me procurar... 

Miguel Torga, in 'Diário XII'


Vou para um refúgio novo. É sempre preciso, é sempre preciso perceber que o mundo é definitivamente a nossa casa. A nossa enorme casa, com diferentes culturas, pessoas, cheiros, comidas, ambientes. A nossa casa, com quem partilhamos com as mais curiosas e intrigantes almas, com as melhores e piores intenções.
Vou de viagem, e não podia estar mais empolgada. Contudo deixo já a saudade de quem me é mais querido, principalmente da minha alma gémea. Sim, eu vou sentir saudades do meu coração. Mas ao mesmo tempo, levo-o comigo, no lugar que só ele conquistou.
Levo a todos que gostam de mim no coração, e na alma levo Deus.
Sim, porque Deus é um companheiro tão fantástico de viagem! Deus é incrível ao nos mostrar novas rotas, novos ventos e novas maneiras de pensar.

Sim, vou de viagem, mas volto já. =)


Que Deus vos abençoe e vos mostre todos os dias que há sempre motivos para sorrir =)


Um bem haja! =)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

ALEGRIA


Tenho dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa. 

João 15:11


Hoje venho falar-vos duma coisa que me é muito querida, que é o mote absoluto para a minha vida—a alegria.Papa Francisco, numa missa, não muito distante do dia em que estamos, reforçou que "(...) não podemos transmitir a fé com cara de enterro." 
De facto é com alegria que devemos servir a Deus— sim, Ele enviou-nos o seu filho muito amado num sacrifício que nunca poderá ser medido— pois é com alegria que louvamos todas as bençãos que Ele nos dá. Se Deus não representa amor, alegria, caridade, carinho então a nossa alma se exalta em vão.
Servir Deus, Aquele que nos criou e nos deu um verdadeiro propósito para viver deve ser uma tarefa abençoada com sorriso e verdadeiras intenções, pois somos, a partir do momento que aceitámos, o rosto de Cristo. 

E como é o rosto de Cristo? 
Eu gosto de pensar que o rosto de Cristo é a essência do amor, do verdadeiro amor, que não rui, que não cessa com a morte, que tudo entende, que tudo perdoa, que tudo ensina. O rosto de Cristo é composto por caridade, pois na sua cara está reflectido todo o carinho e amor incondicional por todos aqueles que nos são irmãos. E os nossos irmãos não apenas os cristãos; 
Os nossos irmãos são os muçulmanos, são os judeus, são os gregos, são os persas, são os egípcios, os europeus, os latinos, os nossos irmãos são todos aqueles que Deus cunhou com amor e misericórdia na alma. Sim, os nossos irmãos, são os filhos de Deus, são aqueles que co-existem connosco e devem de ser servidos na mesma medida de alegria e amor, na esperança que haja um mundo mais justo. 
O rosto de Cristo é alegria, pois a fé nos fortalece, a fé nos aumenta o coração e a alegria repousa em nós.

E é na alegria de Cristo que a nossa alegria é completa. Pois é uma alegria infinita para quem a cuida.

Exultemos irmãos então, para que sejamos alegria, sejamos sorriso rasgado, sejamos o rosto de Cristo, que tanto nos ama, e tanto nos protege no seu amor infinito.

Peço ainda que rezem por mim, pois as minhas orações estão com todos vocês.
Que Deus atenda a todos os nossos suplícios e agradecimentos, e que acima de tudo, seja feita a Sua Vontade.

"Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer."
Salmos 51:12


Um bem haja a todos, e que Deus vos abençoe! :D




segunda-feira, 22 de julho de 2013

«Mulher, porque choras? Quem procuras?»



«Mulher, porque choras? Quem procuras?»

Já chorei por tantas coisas, umas com importância, outras sem nenhuma relevância. Já sofri, como todo o Ser Humano, já cai e desesperei. Sabem, acredito que o choro mais atroz e doloroso não é aquele que é visível, mas aquele que é como ácido que não escorre, mas que mata por dentro, destruindo qualquer tipo de discernimento ou pensamento positivo no nosso coração. Já o tive tantas vezes, esse veneno letal, que nos aprisiona e nos cega ao que realmente importa.

Já procurei realização, já procurei fama pelo talento, já procurei todas as formas de felicidade que não se perpetuam. Já procurei felicidade como algo que se encontra apenas no fim, sem me aperceber que a felicidade se encontra em cada canto do nosso dia a dia.

E agora? Porque choro? Por quem procuro?

Hoje choro de alegria, porque reencontrei Deus. Reencontrei Deus dentro de mim e Ele deu-me paz de espírito, deu-me força e acima de tudo deu-me amor, para que o meu coração se forrasse de positivismo, para que o meu rosto fosse uma demonstração mínima do que Ele opera em mim.
Deu-me uma benção bem maior que a minha vida.
Mas nem tudo é um mar de rosas. Mesmo em Deus, é necessário haver tristeza para descobrir o rejuvenescimento da alegria. 

E agora, por quem procuro?
Por quem sempre procurei, mesmo sem saber. Procuro o Amor, a Paz, a Felicidade, o Optimismo, a Caridade e as atitudes positivas.
E se procuro tudo isso, então sabeis, que me encontro em Cristo. Tal como Maria Madalena, procuro o Senhor que me renasceu, procuro Aquele que nunca, mas mesmo nunca desiste de me chamar, com voz forte, que não se ouve mas que se sente. Procuro Aquele que me dá a alegria eterna, pois é na alegria de Cristo que eu encontro a liberdade da condição humana.


Mas nunca tiveram medo de perder Jesus dentro de vós? Eu sim, e tenho esse medo recorrente.
Não o tenho porque acho que ele desiste, mas porque eu me afasto ao ter certas atitudes.
E esse medo é dos piores de todos, pois sem ele perco qualquer luz que tenha no meu coração.
Mas depois uma ideia invisível, um conforto que não se ve, vem e me diz:

"Eu estarei convosco até ao fim dos tempos"

Então eu deixo de ter tanto medo, pois percebo-me que o seu amor e poder é muito maior que qualquer pecado existente neste mundo, porque a sua grandiosidade ultrapassa a nossa existência e compreensão.


Por isso, no fim de mais um dia eu só peço uma coisa: Não permitas que eu me afaste Jesus.
Tão simples como isto, porque sem Cristo eu não sou nada.

Um bem haja a todos, e que Deus vos abençoe, a todos.





domingo, 21 de julho de 2013

Abram a porta à felicidade!




Hoje não tenho palavras, e por isso, vou deixar alguém transparecer os meus pensamentos de Domingo.
Meus amigos, convosco, Victor Hugo:


"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore. "

Victor Hugo, in Poema Desejo

sábado, 20 de julho de 2013

TENS MISERICÓRDIA?



No evangelho (segundo S.Mateus) proposto na passada sexta-feira, uma expressão ficou latente: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício".
O que é isto de misericórdia e sacrifício? Acho que nós, cristãos, estamos muito habituados à palavra sacrifício na prática e misericórdia na teoria. Reparem, estou a por um nós nesta frase, também tenho culpa nisto. Para nós, de certo modo, é mais fácil bater no peito, rastejar no chão, carregar andores ou privar-se de algo, do que praticar a misericórdia. A verdade é que tudo isto (embora louvável e recomendado quando feito de coração) não é sequer comparável com a força de praticarmos a misericórdia. A palavra misericórdia nasce da junção de duas palavras: miséris + córdia (miséria + coração) e já desde aí tem o cunho de Deus. É um fato, comprovado pela fé, que o sacrifício nos aproxima da humildade que Deus nos propõe, pois implica deixar de se fazer algo que ama, de se sofrer, em prol dos outros e/ou de Deus. O sacrifício, quando feito de coração e não de hipocrisia, é um elixir fantástico para nos aproximar do caminho de Deus. Mas só a misericórdia, a meu ver, nos liberta da nossa existência humana e nos aproxima de Cristo. A misericórdia é muito mais que dar uma esmola sempre que há um pedinte, é muito mais que ajudar pessoas pobres, ou então partir numa grande missão. Não meus amigos, misericórdia é uma virtude fantástica, pois está à disposição de todos, mesmo aos não-crentes. A verdadeira misericórdia, na qual eu acredito, é feita sempre que alguém precisa de algo, seja comida, esmola ou um grande sorriso— um abraço talvez, curaria muitos males de muitos corações— misericórdia é viver para e pelos outros; por quem está próximo, para quem está distante, para quem não conhecemos, para os inimigos, para os animais, para todos que cohabitam neste mundo.

E agora digam-me, é fácil praticar a misericórdia?


Claro que não.
Diria que é extremamente difícil, devido à condição humana que nos prende ao egoísmo e ao individualismo. É extremamente difícil diluirmos as nossas vontades em prol dos outros, e custa, muito mais que um sacrifício. A misericórdia atinge-se com a máxima consciência (esse lugar fantástico onde nos encontramos com Deus), e é com a consciência, que somos levados a praticá-la. Mas como já disse, é muito difícil, e exige de nós muita humildade e bem querer. Mas acima de tudo exige de nós um pensamento constante:
Houve alguém que diluiu a sua vontade em prol dos outros?


Acho que todos nós sabemos a resposta a esta mesma pergunta. Houve, houve alguém que diluiu a Sua Vontade em prol de Deus, mas acima de tudo em prol de nós, humanos, para que tivéssemos a vida eterna, uma vida muito melhor, uma vida muito mais honrada e pacificadora. Ele sim, soube aliar o sacrifício à misericórdia, e continua a faze-lo, como se tivesse sido ontem a primeira vez.

Um bem haja a todos e que Deus vos abençoe =)
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Quanto te tornaste discípulo de Jesus?




Há uma semana atrás, a propósito das Jornadas Mundiais dos Jovens, foi feito duas perguntas ao grupo, perguntas essas que eu quero reflecti-las um pouco mais aqui;

- Quem te falou de Jesus, quem te deu a conhecer, pela primeira vez?

Bem, eu acho que ainda sou uma das sortudas, ao ter sido a minha mãe. A minha doce mãe.
Ela sempre teve uma ligação muito forte, mas ao mesmo tempo muito pessoal com Deus e com Cristo. Ela mesmo, foi catequista e durante anos deu a conhecer Cristo aos outros. A minha mãe ensinou-me, desde pequenina, a rezar com ela, ainda que eu não entendesse as orações, eu a ouvi-a atentamente e tentava imaginar secretamente Jesus Cristo na minha mente. É óbvio que a minha imaginação ( um tanto ou quanto fértil) conseguia, mas ainda assim era uma imagem precária de Jesus Cristo.
Aprendi com a minha mãe que Jesus Cristo não está apenas na Igreja ou na Eucaristia, Jesus Cristo está no nosso coração, tatuado na nossa alma, num selo invisível, que nunca poderá ser quebrado, se assim o desejares. Claro que com o tempo, eu aprendi mais atentamente sobre Jesus Cristo, através das minhas catequistas e com o resto da família.


- Quando te tornaste discípula de Jesus?

Acho que embora Jesus Cristo tenha estado sempre presente na minha vida, e a minha devoção a ele (embora com altos e baixos) tenha sido permanente, eu acredito-me que só me tornei verdadeiramente discípula de Jesus muito recentemente, mais propriamente há 3 anos atrás.
Há 3 anos, quando eu entrei numa sala com 30 e tal crianças, irrequietas, um bocadinho nervosas, umas choronas, outras sorridentes a olharem para nós (catequistas/ajudantes). Mal eu sabia que essas crianças iam mudar a minha vida, iam mudar o meu coração, me iam ensinar a viver de novo.
É que muitas vezes a gente sobrevive, em vez de viver, às vezes estamos "adormecidos" para a verdadeira vida, adormecidos sem conseguir dar valor ao que realmente importa na vida. Ao longo destes 3 anos, estas crianças revelaram o melhor de mim, e eu fiz as pazes comigo mesma, eu fiz as pazes com a minha segurança, confiança, mas acima de tudo fé.
Pois elas, sem pouco ou nada saberem de Cristo, eram a prova viva de que ele existe, e ele vive entre nós. Eles são a prova viva que somos tanto seres imperfeitos como perfeitos, seres que nos seus erros conseguem renascer na maior graça. Seres que mesmo magoados no minuto seguinte perdoam, seres que me ensinaram que nem sempre as pessoas mais sorridentes são necessariamente as mais felizes, ou as que tem mais bens, são necessariamente as que melhor sabem viver.






Com estas crianças eu aprendi a ser humana, mas acima de tudo, eu aprendi a viver, eu aprendi a ser Cristo. E por isso, apesar de todos os anos de estudo, de Eucaristias, de lições e leituras, foi apenas quando estas crianças me tocaram no coração que eu pude realmente ver Cristo.

E a elas, devo tudo, devo toda esta imensa alegria, devo a elas a Vida. Elas foram os verdadeiros mensageiros, não por palavras, mas pelas obras. Nelas eu vi Cristo, nelas eu vi a Vida.

Sorrisos diferentes, a mesma Alma


" (...) E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés o adorou.
Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.
(...) E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas;
Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.
A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos); " Atos 10


Hoje venho-vos falar sobre uma nódoa que assola a Humanidade desde o seu início. O racismo.
Toda a forma de racismo, é anti-cristo, é anti-natural. Não sou eu que o digo, mas Deus, quando me manda, a mim e a vós, amar o próximo sem fazer "acepção de pessoas". Manda-nos amar o judeu e o grego, do mais pequeno para o maior, servir antes que ser servido, pois todos aqueles que ouvem a Sua palavra e a guardam e poe-na em prática, guardam o seu amor, no mais precioso tesouro nos fornecido—o coração.
A mim entristece-me profundamente que ainda existam pessoas que não sintam a presença de Deus dentro delas, pois só assim seria possível esquecer as diferenças físicas e abrir portas à igualdade de Alma. Como seria bom participar num mundo uno e coeso, sobre todas as raças e diferenças culturais, unidos por um único propósito— aquele que realmente interessa— DEUS.
Que bom seria não fecharmos os olhos perante as adversidades dos outros, perante as suas tristezas ou dificuldades, e que bom seria sermos realmente "cegos"no que toca às diferenças físicas, pois os verdadeiros olhos alojam-se no coração.
Acredito-me piamente que Cristo se alegra por cada vez que as barreiras raciais são quebradas, e acredito-me que o seu coração sorri perante o nosso humilde empréstimo de amor de Deus, pois quando abrimos portas ao amor, misericórdia, compreensão, paz e alegria, aí meus amigos, não estamos abrir porta a Deus, estamos a deixar ele sair e transparecer nos nossos corpos, na nossa boca, na nossa mente e no nosso sorriso.

O nosso sorriso pode ser diferente, a nossa pele pode contrastar, a nossa cultura pode diferir, mas meus amigos, nunca poderemos desprender da irmandade que nos une;
Nunca poderemos desprender-mos da presença de Deus na nossa alma, por muito perdidos que estejámos.

Um bem-haja a todos, e que "amanhã" saibamos amar os nossos irmãos de forma igual.